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Nasci em Lisboa no dia 14 de Abril de 1946.
Fui a primeira de cinco irmãos. A nossa família era enorme
e divertidíssima, portanto tivemos uma infância sensacional,
rodeados de amor, carinho, alegria. Também não nos faltaram
aventuras, algumas bastante cómicas, outras emocionantes e
até perigosas, mas que felizmente acabaram bem.
Na
escola corria tudo da melhor maneira. Tinha muitas amizades,
gostava de quase todas as professoras e obtinha boas notas
a tudo menos a Desenho e Matemática (o que eu chorei em cima
do papel quadriculado!).
Quanto a férias, decorriam em várias etapas. Primeiro, praia
no Estoril, com os primos do lado da mãe e vários amigos.
Piqueniques, passeios de barco, imensas festas de anos. Depois
uns dias no Porto, para estarmos com os primos do pai. Aí,
tudo o que fizéssemos tinha um delicioso sabor a novidade!
Seguíamos então para uma quinta em Trás-os-Montes, onde apareciam
visitas de todas as idades.
Organizavam-se passeios de carro, passeios a pé, passeios
de burro, pescarias e banhos de rio, escaladas pelo monte
acima, escolhendo sempre os caminhos mais difíceis para chegar
às grutas, às ruínas, às pedras misteriosas.
À
medida que fomos crescendo as noites foram-se tornando também
cada vez mais animadas.Bailaricos, namoricos, cantoria ao
luar até altas horas da noite.
Nessa época decidi inscrever-me em todas as actividades extra-escolares
que me aparecessem pela frente. Como não sentia vocação definida,
talvez assim acabasse por saber o que me convinha.
Tentei
iniciação à enfermagem, aulas extra de inglês, dança clássica,
culinária, etc., mas impus uma condição a mim própria: continuaria
com notas razoáveis e tempo para namorar e ir a festas. De
uma maneira geral, consegui conciliar estas e outras actividades.
O que não consegui foi saber qual era a minha vocação.
Não tinha coragem para tratar de doentes. Não dançava suficientemente
bem para ser bailarina. Gostava tanto de culinária como de
Matemática... De qualquer forma não foi tempo perdido. Quando
casei, aos vinte e um anos, estava a tirar o curso de Filosofia
na Faculdade de Letras e tive de arranjar emprego. Pude encaixar
tudo, trabalho, actividades caseiras, porque estava habituada
a fazer muita coisa em simultâneo.
Só soube que queria ser professora por acaso. Passei um
ano em Moçambique, comecei a dar aulas no liceu e adorei!
Ainda por cima tinha alunos muito variados: africanos, indianos,
chineses. E dava-me bem com todos. No regresso, as dúvidas
tinham-se dissipado.
Tornei-me professora de Português e História do 2º
ciclo e fui trabalhar para Salvaterra de Magos.
Em
1976 conheci a Isabel Alçada à porta da Escola Fernando Pessoa,
em Lisboa. Ficámos amigas. Em 1982, depois de muito escrevermos
para os alunos, tentámos o nosso primeiro livro: Uma Aventura
na Cidade. Não foi fácil arranjar editora. Levámos com a porta
na cara três vezes. Só a Editorial Caminho quis apostar em
nós.
Agora trabalhamos imenso e geralmente dividimos o tempo
da seguinte maneira: aulas de manhã, livros à tarde, família
à noite e ao fim-de-semana.
Temos também que responder às cartas dos leitores, visitar
escolas e bibliotecas que nos convidam, fazer viagens e trabalhos
de pesquisa para preparar novas histórias. Mas impusemos a
nós próprias uma condição: continuar disponíveis para o marido
e para os filhos. Eu tenho dois: chamam-se Tiago e Mariana
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